Abril/Maio/Junho - Edição 07 - ano 02

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Capital próprio ou de terceiros: vantagens e desvantagens de cada decisão


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André Saito

André Saito é vice-coordenador acadêmico do GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital) da Fundação Getúlio Vargas-EAESP. Em entrevista à Empreender News, ele explica o que o empreendedor deve saber antes de optar por recursos próprios ou de terceiros para o seu negócio.

 

Empreender News: Quais são as vantagens e desvantagens de usar capital de terceiros?


André Saito: Primeiro precisamos esclarecer o que queremos dizer com capital de terceiros. A rigor, o termo “capital de terceiros” refere-se apenas a recursos externos à empresa, como por exemplo empréstimos ou financiamentos. Os recursos de investidores que compram uma participação na empresa (tornando-se sócios e, portanto, também donos) fazem parte do chamado “capital próprio”, o que contraria o senso comum.


De qualquer forma, respondendo à pergunta: que vantagens e desvantagens tem um empreendedor em buscar novos recursos, seja via empréstimos e/ou financiamentos, ou com investidores capitalistas? A principal vantagem é que com esses recursos ele pode ampliar suas atividades, executando projetos ou expandindo sua operação além daquilo que os próprios recursos permitiriam. Se tudo correr bem, os lucros serão também maiores do que ele obteria sozinho. A desvantagem, no caso de empréstimos, é que ele se vê obrigado a gerar lucro suficiente para pagar a dívida, e no caso de um investidor, ele perde um pouco de autonomia na tomada de decisões.

 

Empreender News: E o capital próprio?


André Saito: De novo, precisamos esclarecer o que significa “capital próprio”. Tecnicamente, o termo inclui tanto os recursos do fundador ou dono da empresa quanto os dos investidores que aportam capital posteriormente em troca de participação. Mas supondo que você se refira aos recursos do sócio inicial, o dono: a principal vantagem é que ele tem controle total do negócio, tem autonomia para tomar decisões. Pode decidir como e quando crescer, quem contratar, onde investir, como gastar, etc. A desvantagem, como já comentei, é que as perspectivas de expansão ficam limitadas ao que o seu capital permite. O crescimento, nesse caso, é mais orgânico, baseado apenas no reinvestimento de parte do lucro.

 

Empreender News: Baseado em quais pontos o empreendedor deve escolher por uma ou outra opção?


André Saito: Imagino que você esteja perguntando se é melhor crescer com recursos próprios ou buscando recursos de terceiros (sejam empréstimos ou investidores). Essa escolha depende de inúmeros fatores. Uma questão importante é o quanto se quer crescer, e em que velocidade. De forma geral, o crescimento apenas com recursos próprios é mais lento, e a empresa não cresce tanto quanto cresceria se usasse recursos de terceiros.


Outra questão relevante é o controle: até que ponto o empreendedor aceita dividir as decisões e o retorno dos investimentos? Se ele faz questão de ser o único dono, deve crescer apenas com seus próprios recursos, ou então arriscando-se a tomar empréstimos. Ao buscar recursos de investidores, ele deve estar preparado para compartilhar o comando. Nesse caso, entretanto, há outras coisas que se somam à empresa além do dinheiro: muitas vezes o sócio investidor traz também know-how estratégico e de gestão, ou contatos na forma de fornecedores, parceiros, clientes e equipe.

 

Empreender News: Como escolher baseado na economia brasileira?


André Saito: As altas taxas de juros praticadas no Brasil dificultam o acesso ao crédito. O alto risco representado pela pequena empresa aumenta ainda mais seu custo e disponibilidade, fazendo dos empréstimos uma opção arriscada para o pequeno empresário. Por outro lado, a indústria de venture capital, apesar de recente, cresceu bastante nos últimos anos. Com a estabilização da economia e o fortalecimento do mercado de capitais, além das diversas iniciativas públicas de incentivo à inovação e à criação de negócios, estamos assistindo a um significativo aumento de atividade dos investidores.

 

Empreender News: Quais são as recomendações para os empreendedores que optarem por recursos de terceiros?


André Saito: No caso de empréstimos, é preciso avaliar se o retorno adicional gerado será suficiente para pagá-los. Recomenda-se também não comprometer como garantia coisas das quais não se pode abrir mão, como equipamentos essenciais à operação, por exemplo. Já no caso de investidores, é importante lembrar que eles passarão a ser sócios da empresa: estarei preparado para fornecer informações sobre o negócio? Para compartilhar decisões estratégicas? Para eventualmente ter meu desempenho monitorado por eles?


Ainda no caso de investidores, uma etapa crucial do processo é a definição do valor da empresa, que determina por sua vez qual o percentual de participação a ser entregue para uma determinada quantia investida. Divergências costumam aparecer naturalmente, e é importante que o investidor faça a sua lição de casa e tenha boas justificativas para o valor esperado.

 

Empreender News:  E no caso de recursos próprios?


André Saito: Caso o empreendedor prefira crescer com recursos próprios, as recomendações são mais sutis, pois os riscos são relativamente menores, mas não menos importantes. Um deles é o risco da complacência, de se acostumar com um determinado mercado ou forma de operação e não perceber ameaças surgindo no horizonte. Pode ser um novo produto, um novo concorrente, uma tecnologia que torna a atual obsoleta, um novo modelo de negócio que dissolve os lucros da noite para o dia. Com a dinâmica dos mercados se acelerando, ficar parado onde está significa, na verdade, regredir.

 
     
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